Os melhores (e os piores) livros de 2016

Os melhores (e os piores) livros de 2016

Foi difícil selecionar as melhores leituras em um ano marcado por boas leituras. Em 2016, escolhi apresentar uma lista reduzida, com apenas cinco bons trabalhos — é uma lista pessoal, com livros cuja temática me agrada ou interessa. “Cito também” incorpora uma segunda e uma terceira camadas de excelentes lançamentos. Nas categorias à parte, menciono duas autoras que têm mais de um trabalho como destaque. Também ressaltei alguns livros cuja edição ou reedição é de extrema importância. E os piores são os piores.

É óbvio que um resenhista não pode ler tudo o que gostaria. Não terminei de ler O Sumiço (Georges Perec), por exemplo, que finalmente ganhou uma tradução para o português (José Roberto Andrade Féres). Não li a edição com as duas novelas de Mircea Eliade publicadas pela Editora 34. Não li Tentativas de fazer algo da vida, de Hendrik Groen. Não li Machado, de Silviano Santiago. Não li tantos autores brasileiros quanto deveria.

Há bons livros que ficaram de fora, assim como há maus livros que não estão entre os piores. Gosto muito do novo livro de Daniel Galera. Também gosto muito dos novos livros de Elvira Vigna e de Ricardo Lísias. Gosto de Dois anos, oito meses e 28 noites, de Salman Rushdie, e gosto de Butcher’s Crossing, de John Williams. Gosto de Enclausurado, de Ian McEwan, e gosto de O homem sem doença, de Arnon Grunberg. Gosto de O fim da história, de Lydia Davis. Gosto de Paraíso & Inferno, de Jón Kalman Stefánsson. Não preciso dizer o quanto gosto de Os fatos, de Philip Roth. Não gostei de Pureza, novo romance de Jonathan Franzen. Não gostei de Isso também vai passar, de Milena Busquets, que tem aparecido em algumas listas de melhores do ano. Não gostei nem desgostei do quarto volume da série Minha Luta (Karl Ove Knausgård), Uma temporada no escuro.

Assumo o caráter bufê-de-grelhados-e-de-sushi-em-uma-churrascaria-que-também-trabalha-com-rodízio-de-pizza da lista. Tem de tudo. Trapaceei um pouco? Talvez. O bom de ser a dona da boca é fazer as regras da boca.

Agradeço a quem acompanhou o Livros abertos em 2016. Obrigada pela leitura. Em 2017, as coisas devem ficar um pouco diferentes por aqui. Abro mão de resenhar lançamentos para incluir textos mais longos sobre autores não contemporâneos.

.

Duas categorias à parte

ROMANCE/NOVELA

Elena Ferrante

História do novo sobrenome (Biblioteca Azul, 470 páginas)
História de quem foge e de quem fica (Biblioteca Azul, 416 páginas)
Dias de abandono (Biblioteca Azul, 184 páginas)
A filha perdida (Intrínseca, 176 páginas)

Não é possível fazer uma lista de melhores do ano sem incluir Elena Ferrante. Também não é possível escolher apenas um trabalho da italiana. De modo que aqui estão todos os livros da autora lançados no Brasil em 2016. Resenhei História do novo sobrenome aqui, e Dias de abandono aqui. Resenho os outros dois em seguida.

NÃO FICÇÃO

Svetlana Aleksiévitch

A guerra não tem rosto de mulher (Companhia das Letras, 392 páginas
Vozes de Tchernóbil (Companhia das Letras, 384 páginas)

Nobel de 2015, Svetlana Aleksiévitch escreve livros poderosos em que costura histórias reais. No final do ano, a Companhia das Letras lançou O fim do homem soviético. Resenho em seguida.

Os 5 melhores

ENSAIOS

41 inícios falsos

Janet Malcolm
Companhia das Letras, 384 páginas

O melhor de Janet Malcolm. Destaque para “A garota do Zeitgeist”, excelente ensaio sobre Ingrid Sischy. Resenho em seguida, com outro livro de Malcolm.

ROMANCE

Quem matou Roland Barthes?

Laurent Binet
Companhia das Letras, 416 páginas

Genial. Muitos vão discordar, mas prefiro Quem matou Roland Barthes? a HHhH. Resenho em seguida.

ROMANCE

O tribunal da quinta-feira

Michel Laub
Companhia das Letras, 184 páginas

Ridiculamente bem narrado. Reúne elementos aparentemente difíceis de reunir, e dá certo. Resenhei aqui.

TEXTOS

Prosas apátridas

Julio Ramón Ribeyro
Editora Rocco, 160 páginas

A capa poderia vencer um concurso das mais feias do ano, mas o livro é maravilhoso. Resenhei aqui.

DIÁRIOS

Diários II

Susan Sontag
Editora Companhia das Letras, 584 páginas

Adoro a sonoridade do título em inglês: As consciousness is harnessed to flesh. Ainda melhor que o primeiro volume dos diários da autora. “Era possível criar um novo movimento artístico todos os meses apenas lendo a revista Scientific American.” “A catástrofe (para um artista) de ter uma retrospectiva: todas as suas obras subsequentes se tornam póstumas.”

Cito também

Todos serão resenhados em breve, aqui ou em outro espaço.

NÃO FICÇÃO

O gene, de Siddhartha Mukherjee (Companhia das Letras, 656 páginas)
Uma história natural da curiosidade, de Alberto Manguel (Companhia das Letras, 496 páginas)
O Reino, de Emmanuel Carrère (Companhia das Letras, 452 páginas)
O Ardor, de Roberto Calasso (Companhia das Letras, 478 páginas)

São quatro leituras bem variadas, todas excelentes. Destaque para O reino, livro em que Emmanuel Carrère mistura uma busca (e uma fuga?) pessoal com a retomada das origens do cristianismo.

POESIA E FICÇÃO

Um amor feliz, de Wisława Szymborska (Companhia das Letras, 200 páginas)
Foe, de J.M. Coetzee (Companhia das Letras, 144 páginas)
Simpatia pelo demônio, de Bernardo Carvalho (Companhia das Letras, 232 páginas)
O amor dos homens avulsos, de Victor Heringer (Companhia das Letras, 160 páginas)

De novo: quatro leituras bem variadas, todas excelentes. Foe, de J.M. Coetzee, foi escrito na década de 1980 e publicado este ano no Brasil.

Edições e reedições importantes

ENSAIOS

Ensaios

Michel de Montaigne
Editora 34, 1032 páginas

Uma edição dos Ensaios de Michel de Montaigne (mais completa, porém) que vem concorrer com a da Penguin-Companhia.

CONTOS

Contos Completos

Clarice Lispector
Editora Rocco, 656 páginas

Finalmente uma edição reúne todos os contos de Clarice Lispector. A iniciativa é de Benjamin Moser, biógrafo da autora.

ENSAIOS

Escritos Judaicos

Hannah Arendt
Editora Manole, 896 páginas

Hannah Arendt se torna cada dia mais imprescindível. Uma reunião de seus escritos sobre judaísmo.

CLÁSSICO DA LITERATURA BRASILEIRA

Os Sertões

Euclides da Cunha
Editora Ubu, 864 páginas

A recém-inaugurada Ubu estreia com Os Sertões, de Euclides da Cunha. Excelente fortuna crítica.

TEORIA E CRÍTICA LITERÁRIA

Estética como ciência da expressão e linguística geral

Benedetto Croce
Editora É Realizações, 544 páginas

Croce pode soar anacrônico, mas isso não quer dizer que a leitura seja dispensável. Segui a dica da lista da Revista Amálgama.

CLÁSSICO DA LITERATURA ALEMÃ

A Montanha Mágica

Thomas Mann

Finalmente um dos livros mais importantes da literatura mundial foi reeditado. A tradução é a mesma, de Herbert Caro.

Piores de 2016

ROMANCE

A vida invisível de Eurídice Gusmão

Martha Batalha
Companhia das Letras, 176 páginas

A resposta dos leitores tem sido positiva, mas o silêncio de alguns dos nossos melhores críticos é extremamente eloquente. De mal-humorada a cínica, a resenha que escrevi para a Folha de S.Paulo me rendeu bons adjetivos. Minha opinião continua a mesma: rapaz, que livro ruim. Arquétipos transpostos para o papel sem o mínimo de cuidado, diálogos pavorosos, um trabalho de linguagem que esbarra na própria limitação do narrador e das personagens, condução medonha, escolhas totalmente aleatórias (como o narrador distanciado e meio imbecilizado para dar a ideia de “vida interior”, de existência invisível que se desenvolve silenciosa no seu canto). No geral, tem-se a ideia de que Eurídice Gusmão poderia ser qualquer mulher: de fato poderia, o que a torna tão bidimensional. Na ânsia de consumir (a palavra é essa) tudo o que ganha o selo feminista, é fácil perder o senso crítico. Se no plano ético o romance é uma boa iniciativa (a história de nossas avós, etc. etc.), no estético não serve. Para fazer literatura precisamos, felizmente, de muito mais do que boas intenções.

 

BIOGRAFIA

Transformer

Victor Bockris
Aleph, 512 páginas

A grande dúvida suscitada pela leitura de Transformer (“Por que escrever uma biografia de alguém que você odeia?”) é respondida ao mesmo tempo em que surge: para destilar rancor. Sem nenhum rigor, Bockris despeja uma abobrinha atrás da outra, quando não ideias totalmente preconceituosas. Julga Lou Reed o tempo todo, como se a tarefa do biógrafo consistisse em apontar os erros do biografado. Não se incomoda em corrigir frases antissemitas, e tampouco acha necessário reacomodar a comparação entre Reed e Stálin. Basta dizer que o livro é amplamente baseado em fofocas, boatos e comentários desproporcionais. Só não é pior porque não tem mais páginas. Se não fossem as fotos de Lou Reed, valeria o uso como calço de mesa. Resenhei aqui.

 

54 Comentários Os melhores (e os piores) livros de 2016

  1. Caio Lima

    Boa lista! E é isso aí, a dona da boca é quem faz as regras. Hahahaha.
    Fiquei curioso para ler Prosas Apátridas e desconhecia essa coleção da Rocco, vou procurar!

    Curti a iniciativa de largar um pouco de mão os lançamentos. Aguardo ansioso os autores e obras que vem por aí.

    Um 2017 brilhante, Camila. Abraços 🙂

    Reply
  2. Gabriel Matos

    Lista maravilhosa! Uma das satisfações em 2016, foi conhecer o Livros abertos, e ter em um fácil alcance, acesso à um conteúdo tão bem produzido.
    Muitas de suas recomendações ao longo do ano, já fazem parte da minha estante. Você é incrivelmente maravilhosa no que faz! Obrigado!
    Tudo de bom pra você em 2017! <3

    Reply
  3. Gabriel

    Adorei a lista Camila!

    Visitei o site ao decorrer de todo o ano e só tenho elogios redundantes a te fazer.

    Adoraria ver um pouco de Fitzgerald e Jeannette Walls por aqui. Feliz 2017 🙂

    Reply
  4. Rejane

    Estava esperando esta seleção de livros para decidir sobre as leituras durante o período de férias. Li Michel Laub e Julio Ramón Ribeyro: literatura impecável e imperdível. Uma falha minha: não gostar da Ferrante, mas reconheço o talento literário . Livro simplesmente intragável e total waste of time: A vida invisível de Eurídice Gusmão. “Transformer”: literatura caça-níquel. Agora é aproveitar a folga e colocar a leitura dos demais livros citados em dia. Obrigada pelo trabalho árduo durante 2016, sei que é difícil conciliar estudos, trabalho e material de qualidade disponibilizado de graça e nem sempre reconhecido como tal. Sinto grande orgulho do que fazes. Beijos! Te amo! Rejane.

    Reply
  5. Graça

    Oi, Camila!
    Amei sobre a dona da boca…
    Este post foi para mim um dos melhores presentes de aniversário, originalíssimo.
    Fiquei feliz com seus planos para 2017.
    Sucesso!
    Obrigada .
    Beijos

    Reply
  6. Sonia Meneghetti

    Camila,

    Pra mim, é a lista mais aguardada no ano. E a melhor.

    Gostei muito da lista e da classificação sedutora. Diferente. Criativa.

    Feliz Natal e um grande 2017!

    Um beijo,

    Sonia

    Reply
  7. Borba

    Oi, Camila!

    Para quem nunca leu Elena Ferrante, qual livro você indica como primeiro contato:?

    Ahh… Você escreve muito bem! Por que não cria um sistema para doações, parecido com o do Brain Pickings, para ajudar nos custos do Livros Abertos? Tenho certeza que daria muito certo!

    Reply
    1. Camila von Holdefer

      Obrigada pela leitura! Acho que Dias de abandono e A filha perdida são ambos uma boa pedida: não fazem parte da tetralogia, mas dão uma boa ideia da escrita da Ferrante.
      Acredito que um esquema de ajuda de custos não daria muito certo para um site de literatura nestes pagos, mas agradeço muito a sugestão. 🙂

      Reply
  8. Douglas

    Na livraria em que trabalho, o livro do Hendrik Groen se tornou uma espécie de best-seller inesperado. Ganhou o coração dos vendedores e do público, que comprou até o último exemplar. Estamos até agora tentando entender.

    Muito legal seu post, Camila! Me lembrou de algumas coisas que deixei passar e outras que tenho protelado – quero ler o novo do Binet, pois o HHhH me marcou muito, e os diários da Susan Sontag estão na cabeceira da cama só esperando a conclusão da minha leitura atual.

    Um bom 2017 pra você e boas festas!

    Reply
    1. Daniel Dago

      Na Holanda é um mega bestseller, foi vendido para 30 países, vai virar série de TV. Estourou tanto que tem merchandising de todo tipo: caneta, camiseta, canecas. Fizeram até uma edição com fonte gigante, só para idosos lerem. Bom saber que está vendendo por aqui, exceto a Camila, não vi nenhum crítico mencionar o livro.

      Reply
  9. Eloiza Cirne

    Grata surpresa conhecer “Livros Abertos”! Já li (ou já tenho) quase todos. Mas não os dois primeiros romances: QUEM MATOU ROLAND BARTHES e O TRIBUNAL DA QUINTA-FEIRA! Parabéns pela página! Adorei!

    Reply
  10. Juliana

    Oi Camila! O ano inteiro acompanhei o site e preciso dizer que você é muito boa no que faz, sério! Sou fissurada por livros e adorei a lista. Inclusive estou escrevendo o meu, quem sabe não posso lhe enviar? O saco é ter inspiração, às vezes não sai nada, mas o objetivo é terminá-lo ano que vem! Aproveito a deixa para avisar que criei um blog! Chama-se Freelancer Anônima. Se puder visitar, agradeço muito. Ainda está no começo ^^

    Um Feliz Natal e um Feliz Ano Novo! Até 2017!

    Reply
  11. Delair

    Boa lista.
    Venho acompanhando o blog há algum tempo. Acho que você evoluiu bastante e conseguiu espaço em um momento crucial (além de parecer ter bons contatos). No entanto, sinto que falta mais substância reflexiva e um uso mais orgânico das referências, já que às vezes percebo um tom excessivamente artificioso. Você parecer ler muito, quem sabe até demais — nessas horas sempre lembro de Schopenhauer (que, embora um pouco exagerado, tem certa razão): “O meio mais seguro para não possuir nenhum pensamento próprio é pegar um livro nas mãos a cada minuto livre” — e fala às vezes com uma pretensa autoridade incômoda para alguns (acho que é o caso do comentário na entrevista do Daniel Galera). Eu leio muito lentamente, convivo um bom tempo com um texto (por isso tenho que ler várias coisas ao mesmo tempo), e entendo que para ser crítico literário a pessoa tem que devorar muitos livros, mas é preciso cuidar de outras coisas também. Vamos ver o que 2017 nos reserva. Desejo sucesso.

    Reply
    1. Camila von Holdefer

      Obrigada pela leitura, Delair. Apenas um adendo: tenho horror à palavra “contatos” e só mantenho próximas a mim as pessoas de quem genuinamente gosto e em quem confio. Não tenho nem traquejo e nem vontade de fazer contatos. Mas entendi que você quis dizer. Enfim, é impossível agradar a todos os leitores. Alguns prefeririam que eu escrevesse de forma x, outros de maneira y. A própria maneira de ler e interpretar meu tom varia bastante. Quanto à necessidade do uso de referências de forma mais orgânica, concordo com você. Obrigada, de qualquer forma, pelas críticas educadas. Um ótimo 2017.

      Reply
    2. Camila von Holdefer

      Fiquei pensando no seu comentário, Delair, e também na minha resposta a ele. Pensei na camada de civilidade debaixo da qual é comum que escondamos o machismo, e a camada de educação debaixo da qual as mulheres têm de enterrar a indignação (porque a indignação não raro é histeria, é o não-saber-lidar-com-críticas). Fiquei pensando se um homem seria acusado de falar com “uma pretensa autoridade”. Seria? Não quis ser injusta com você, então conversei com umas poucas pessoas. Todos foram unânimes em dizer que um crítico homem dificilmente leria algo assim. Mulheres, afinal, não têm autoridade, tudo o que elas têm é “uma pretensa autoridade”. Eu não poderia, no caso da entrevista com Daniel Galera, ter lido e compreendido George Steiner, que aliás é um dos meus autores favoritos, mas poderia apenas fingir esse domínio. (É curioso como essa entrevista incomodou a alguns homens.) É muito difícil medir onde há e onde não há machismo, onde há e onde não há esse desprezo às mulheres. Para tornar as coisas ainda mais complicadas, é importante que exista a liberdade de crítica em relação ao trabalho das mulheres assim como há com o trabalho dos homens. Algumas coisas, no entanto, são bem óbvias. Essa é uma delas. Tudo o que me compete é uma “pretensa autoridade”. Quando um homem, em outro site, usou um único autor a fim de validar o argumento da resenha de “Meia-noite e vinte”, ele não recebeu comentários condescendentes e ferinos. Ele foi aplaudido.
      Enfim, Delair, talvez você deseje ler alguém que fala com autoridade, que escreva as coisas nos seus moldes, que leia da forma como VOCÊ lê, que é, afinal, a correta. Alguém que não seja uma mulher, que afinal precisa de contatos para conseguir algum espaço.

      Reply
      1. Raul

        Depois de ler o comentário do Delair, já desci animado esperando uma porrada da Camila, mas encontrei uma resposta “paz e amor”. Fiquei meio decepcionado, mas entendi o motivo. Agora, essa nova réplica é a Camila EM CHAMAS! que a gente quer ver. Nunca pare, por favor.
        Sobre o post, gostei da lista, o Laub se tornou meu escritor brasileiro contemporâneo preferido depois que li A Maçã Envenenada e o conto da Granta, estou com muita vontade de ler esse novo dele.
        Abraços e feliz 2017!

        Reply
      2. Delair

        Oi, Camila,
        Não consegui evitar a impressão de exagero lendo o teu comentário. Se o fato de eu dizer isso parecer típico, ok, desarmemos a tal expressão: desculpa, eu errei (sem cinismo). O núcleo do meu comentário era outro e uma análise de discurso como a que tu fez pra rebater uma critica já é algo que me é cansativo. Leio o teu blog sempre, o que meio que torna incongruente o que tu afirma (“talvez você deseje ler alguém que fala com autoridade, que escreva as coisas nos seus moldes, que leia da forma como VOCÊ lê, que é, afinal, a correta. Alguém que não seja uma mulher”).

        Reply
  12. Karla

    Já comecei a ler os indicados. Estou certa de que vou ter ótimas surpresas. Gosto muito do que você escreve e dos livros que indica. Um ótimo 2017!

    Reply
  13. Livia

    Prosas Apátridas também está aqui comigo como um dos melhores de 2017. Que livro incrível! Fiquei instigada a ler vários títulos aqui da sua lista… 🙂 E que ótima notícia que teremos não só lançamentos em 2017! Ah, uma perguntinha: para quem nunca leu nada da Sontag vc indica o Diários II ou algum outro? Um ótimo ano novo pra vc Camila. Bjo

    Reply
    1. Camila von Holdefer

      “Prosas apátridas” é maravilhoso!
      Acho complicado começar com os diários. O melhor seria apostar nos ensaios (acho que saíram dois ou três pela Companhia), pelas entrevistas (Autêntica, se não me engano) ou pela ficção. Gosto bastante de “O amante do vulcão” ou “Na América”. 🙂 Nao recomendo saltar a ordem dos diários, porque é interessante acompanhar a formação da Sontag. Espero ter ajudado. Beijos, ótimo 2017!

      Reply
  14. Paulo

    Olá, Camila!

    “Livros Abertos” é, entre os brasileiros, sem dúvida alguma, um dos melhores sítios sobre literatura.

    Parabéns pelo seu trabalho e por compartilhar com os internautas, generosamente, as suas reflexões sobre a produção literária!

    Aproveito para deixar aqui o seguinte comentário para reflexão de todos nós: até quando aceitaremos que os interesses comerciais das editoras imponham-se sobre a qualidade do livro, considerando-se que a produção editorial não é uma indústria como outra qualquer? Refiro-me, em especial. à prática de grandes e poderosas editoras de publicar obras de autores estrangeiros, vertidas a partir de outras línguas que não aquelas em que foram escritas.

    Tome-se o caso, por exemplo, de Svetlana Aleksiévich: o prêmio Nobel move o mercado editorial de todo o mundo e, com isso, permite-nos o acesso a autores que, não fosse isso, ficariam ocultos para nós. A escritora foi agraciada e, de olhos nas vendas (leia-se: “nos lucros”), poucas semanas após, foram lançados, a intervalos, três livros da autora, com traduções a partir do inglês.

    Ler uma obra de uma escritora bielorussa em tradução a partir do inglês é como chupar uma bala com o papel.

    Se “Paraíso & Inferno”, de Jón Kalman Stéfansson, foi publicado, pela mesma Casa, com tradução direta do islandês; se os autores russos, vertidos do original, tornaram-se uma verdadeira sensação entre os leitores brasileiros, a título de exemplo, por que ricas Casas Editoriais ainda investem no atraso, entregando-nos livros com belas capas, estratégias agressivas de marketing e traduções de segunda mão?

    Sugiro que manifestemos para as Editoras, das mais diversas formas, o inconformismo com esse estado de coisas, com essa submissão à lingua franca, e, em contraposição, que se louvem (já passei a adotar essa prática, escrevendo para as Editoras sérias) as Casas que não abrem mão do rigor, como a Estação Liberdade, Perspectiva e algumas outras.

    Fica aí um item a adicionar-se à lista de desejos para 2017.

    Continuar a ler “Livros Abertos” já está na minha lista de desejos.

    Boas leituras para todos nós em 2017.

    Um abraço do
    Paulo.

    Reply
    1. Camila von Holdefer

      Obrigada pela leitura, Paulo. 🙂
      Também não gosto de traduções indiretas. A pior de todas as que eu li é a de “Beleza e Tristeza”, obra-prima do japonês Yasunari Kawabata, vertida para o português a partir do inglês. A edição ainda ganhou um prefácio que afasta totalmente o leitor comum do livro. Foi uma das piores decisões editoriais que já vi.
      No caso de “Paraíso & Inferno”, tenho a impressão de que a editora comprou a tradução portuguesa (islandês-português/pt), apenas fazendo os ajustes necessários. Houve alguma polêmica em relação a isso.
      Abraço!

      Reply
    2. Kamila Leita

      Tem fonte sobre a tradução?

      A Sônia Branco foi a tradutora, correto? E até onde vi, ela traduziu diretamente do original.

      Reply
      1. Raul

        Uma pesquisada rápida é o suficiente para perceber o equívoco do Paulo. Os três livros da Svetlana Aleksiévitch lançados pela Companhia das Letras foram traduzidos diretamente do russo. Além da Sônia Branco (Vozes de Tchernóbil), os outros tradutores são Cecília Rosas (A Guerra Não Tem Rosto de Mulher) e Lucas Simone (O Fim do Homem Soviético), que traduziram respectivamente os volumes 2 e 3 dos Contos de Kolimá, de Varlam Chalámov, para a Editora 34.

        Reply
  15. Rogério

    Olá Camila, estava ansioso por esta lista. Te acompanho a algum tempo e posso dizer que algumas de minhas melhores leituras vieram de suas resenhas. Cito dois: Tirza e Nora Webster.
    De sua lista li atual li Ferrante, Galera e John Williams.

    Muito obrigado, te desejo um 2017 de ótimas leituras!

    Reply
  16. Alan Mendonça

    Muito bom, Camila. Gostei da lista. Aguardando a resenha do livro de Alberto Manguel. Abz e muitos livros em 2017.

    Reply
  17. Ana Paula

    Olá Camila,
    Gosto muito do seu site, já acompanho há algum tempo e algumas das minhas melhores leituras de 2016 foi depois de ter lido suas criticas que me incetivou a lê-los. Que o diga a Elena Ferrante, John Williams e a Svetlana. Desejo um ótimo 2017 e gostei da idéia sua de “largar um pouco dos lançamentos”. Estou curiosa sobre os autores e obras que você irá discutir no blog. Abraços

    Reply
  18. Wandir Mello

    O ano novo para mim não começa “só depois do carnaval”. Ele começa, isso sim, só depois da sua lista de Melhores Livros, Camila. Sinto-me, como dizer?, completo depois de lê-la, pronto para mais 365 dias de leitura.
    E o melhor é ver que nosso gosto pessoal é bem parecido (sim, permito-me essa pequena vaidade). Por exemplo: tive a mesma sensação com os últimos do Knausgard, justo ele que me arrebatou com “A Morte do Pai”. Não sei, senti ali uma certa sensação de incompletude, algo como um leve desleixo na condução da obra – afinal, certos detalhes corriqueiros da rotina de alguém, quando não refinadas e transubstanciadas em algo com um valor verdadeiramente literário, acabam sendo apenas isso mesmo: detalhes corriqueiros da rotina de alguém. Mas esperemos.
    Não li o novo Franzen ainda, mas já imaginava que superar “As Correções” e “Liberdade” não seria fácil. Já Elena Ferrante, o que falar dela? A maestria com que ela costura sua história! Arrebatou-me logo de cara. Olho para o meu tênis surrado e sonho com um sapato Cerullo!
    Enfim, como professor em tempo integral, me falta tempo para ler tudo o que queria – e por acaso não é esse o nosso maior algoz, a falta de tempo? Quero muito “Butcher’s Crossing” e o novo do Grunberg; quero Svetlana, quero Coetzee (que conheci tardiamente e não me perdoo por isso); quero os brasileiros, que só nos dão orgulho (Bernardo Carvalho, Laub, Galera).
    Enfim, Camila, sou muito grato ao seu site, pelas dicas, pelas entrevistas – a falta de voz dos autores na mídia me incomoda profundamente -, pelas resenhas intrincadamente belas. Nesses tempos em que não encontramos quase NADA relevante sobre literatura na TV e que, mesmo na Internet, só o fazemos por sorte ou com muito esforço, o Livros Abertos ainda é o mais convidativo dos oásis.
    Parabéns!

    Reply
  19. Guilherme Lutti

    Infelizmente, dos lançamentos dessa lista só li O Gene (adorei) e o do Ian McEwan. Curioso sobre o “Quem matou Roland Barthes”. Mas minha pergunta é: vc leu Cidade em Chamas? Procurei uma resenha no blog e não achei. Esse é um livro que queria muito ver comentado por vc!!

    Reply
    1. Camila von Holdefer

      Oi, Guilherme. Eu preparei o texto de Cidade em chamas para a editora, o que me impede, por ética profissional, de resenhar o livro. 🙂 Mas vou tentar escrever alguns parágrafos sobre A montanha mágica. Obrigada pela leitura! 🙂

      Reply
  20. Viviane da Costa

    Camila, voltei a essa lista porque lembrava que você falava nela sobre “A vida invisível de Eurídice Gusmão”. Não me lembrava se era uma crítica boa ou ruim e estava angustiada porque só li bons comentários sobre o livro, comecei a leitura e nada aconteceu. Eu viro uma página após a outra sem dificuldade e fico me perguntando o motivo. Agora, me senti um pouco confortada. O livro tem ótimas intenções mesmo, mas eu estou sempre com a sensação de estar lendo um amontoado de coisas que não “deram liga”. Vou terminar a leitura porque não chega a ser um sacrifício, mas gostei de refletir a partir do que você escreveu aqui e na coluna da Folha, que não tinha lido. Obrigada!

    Reply
  21. Paulo Sousa

    Só pelo fato de você ter gostado de Os Fatos, do Roth, livro que estou concluindo a leitura, já amei seu espaço. Agora tenho uma nova obrigação: ler tudo que você escreveu sobre o que leu e, assim que puder, também lerei!

    Reply

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *