NW – Zadie Smith

Há uma boa dose de ambiguidade em NW, o que vai se manifestar de três jeitos. a) O primeiro, desejável até certo ponto, é intencional e pode ser percebido na própria trama. Está ligado à maneira como os personagens se inserem no meio estabelecido (um meio com desafios e regras próprios), e também às interações dos personagens entre si.

Desse cenário emergem contradições visíveis, impasses, ações que exploram as prováveis tensões. Essa ambiguidade atinge em cheio o leitor, a quem é dado um dilema moral de difícil solução (ou mais de um). b) O segundo se traduz num estilo enigmático — na forma de um narrador que é cúmplice e próximo, mas também irônico. c) O terceiro, nada desejável, pode ser visto na maneira como o livro foi construído: no rumo incerto, na estrutura que oscila, nos blocos de texto que deixam ver as rachaduras, nas pontas soltas. É a ambiguidade típica de um livro cujos acertos podem ser destacados, mas que invariavelmente vai ceder ao peso de suas falhas. E é uma ambiguidade que pode ser associada aos riscos assumidos por um autor, ainda que este não seja o caso de NW. As apostas de Zadie Smith não foram altas — o que não impede um resultado frustrante.

nwA recepção da crítica (publicado agora pela Companhia das Letras, NW foi lançado originalmente há cerca de dois anos) contribui para ressaltar essa ambiguidade difícil de resolver. NW esteve na lista de melhores de 2012 do The New York Times; foi escolhido como livro do ano pelo The Wall Street Journal, QG e The New Yorker. Um crítico do The New York Times Books Review considerou o romance “tão radical e apaixonado quanto real”, uma frase que decididamente parece inadequada para descrever NW. A escritora norte-americana Joyce Carol Oates lançou uma comparação caduca entre a escrita de Zadie Smith e a de James Joyce. (Não parece haver um ponto de contato sequer entre uma e outra.) Nenhuma dessas reações ao livro parece encontrar algum amparo na realidade, daí o espanto. A impressão que se tem é que os elogios impressos na sobrecapa descrevem outro romance — original, denso e arrebatador —, e não NW. Se Zadie Smith alguma vez chegou perto da perfeição, como apontou uma resenha no The Independent, não foi aqui.

Num ótimo ensaio sobre a artista Anna Maria Maiolino, o crítico e curador Paulo Venancio Filho acerta o alvo com precisão. Como avalia uma fórmula universal, aquilo que escreve também pode ser aplicado à literatura em geral (e à de Zadie Smith em particular): “Espaço físico, espaço mental, espaço afetivo, entre outros; cada um deles sendo um dos diferentes e fundamentais modos de ser que aqui se estabelecem como espaço da obra. Habitar o espaço implica preencher essas possibilidades significativamente, mais ainda, autenticamente.” Zadie Smith cria belos espaços. Seu único defeito é parecerem frequentemente desabitados — ou pelo menos esvaziados de presenças verossímeis cujas ações têm fundamento, profundidade e continuidade. A interioridade dos personagens não convence — ou não é atingida —, um problema que está, em parte, na postura do narrador. O resultado é que seus espaços não são preenchidos nem significativa, nem autenticamente.

O saldo de NW não é positivo nem quando suas quatro partes são vistas como um todo. O que ocorre é justamente o inverso: quando se une os pedaços, o livro inteiro vem abaixo. Multiculturalismo, individualidade, tempo que escorre, uma quantidade insana de caminhos possíveis que não esconde certa limitação: eis as (boas) promessas de NW. Quatro personagens, dois homens e duas mulheres, sendo elas mais importantes do que eles. Todos habitam o bairro de Kilburn, na região de NW, no final da primeira década do século XXI. É esse dado que os liga. A primeira a surgir é Leah, uma mulher na casa dos trinta anos que manifesta uma insatisfação indefinita. Leah quer parar o tempo até decidir como vai viver a sua vida. Ela “forçou uma imobilidade nela mesma, mas isso não impediu que o mundo continuasse”. Leah não deseja ser mãe e, mesmo casada com um homem, não abandonou o desejo por mulheres. Fica (mais) desorientada quando conhece Shar, uma jovem que bate em sua porta a fim de pedir socorro.

O próximo é Felix, que, como o nome sugere sem sutileza, aparentemente encontrou a felicidade. Virando a esquina, porém, seu destino pode não ser tão alegre. Em seguida é a vez de Natalie, que age como autômata e trabalha em um ritmo insano para sufocar o caos interno. Natalie e seu marido, profissionais bem-sucedidos e pais de duas belas crianças, são “como uma dupla de atores que só se fala no palco”, ou seja, diante dos amigos. E também há Nathan, amigo de infância de Leah e Natalie, cuja vida se desenrolou de forma mais trágica.

O universo que Zadie Smith procura descrever — e criticar, o que é sempre um aspecto positivo — só reconhece a produtividade. Quando o narrador se aproxima de Michel, marido de Leah, um sujeito ambicioso e convencional, ele é certeiro: “Você é o que você faz. É assim que as coisas são. Vivo pensando: este sou eu? O que estou fazendo? Este sou realmente eu? Se sento e não faço nada sei que isso me torna um nada.”

A vontade de “transcender” essa realidade — de procurar algo mais significativo, intenso e genuíno — não é estranha aos personagens de NW. (Será essa a explicação para a maconha que praticamente todos os personagens fumam em todos os momentos possíveis? Se alguém decidir medir o consumo de Cannabis na literatura, NW é um forte concorrente ao primeiro lugar.) Desse mundo urbano e caótico emerge uma figura tão improvável quanto Kierkegaard e sua noção de instante — aquela que diz que o instante não seria uma parte normal do tempo, e sim um momento menos corriqueiro e mais profundo. Kierkegaard surge através de Leah, que se formou em filosofia porque “tinha medo de morrer e achou que isso poderia ajudar”. Sua desilusão é visível. Só o filósofo dinamarquês parece ter algo a lhe dizer.

Mas a realidade é estreita e não é fácil transcendê-la ou encontrar uma saída alternativa. Em NW, a quantidade de caminhos e possibilidades acaba ocultando a pobreza da qualidade. Todas as rotas conduzem ao mercado de trabalho/à corrida pela construção de um patrimônio — ou seja, estão inseridos numa lógica que sobretudo Leah e Nathan parecem rejeitar. Qualquer atalho deverá ser aberto por conta própria, certamente às custas de algum sofrimento. Você é o que você faz: eis o sentido de mundo hipermoderno que Zadie Smith tanto martela e que aparece na declaração de Michel. Libertar-se é quase impossível. “A liberdade era absoluta e estava por toda parte, constantemente mudando de lugar. Você não podia esperar encontrá-la apenas nos velhos e conhecidos lugares”, diz o narrador.

(Uma passagem significativa: “tinha se desviado demais da conversa mole e entrado bem no âmago das coisas […], e agora devia tentar voltar para as coisas que não importavam”.)

NW tem boas sacadas, mas elas estão em desvantagem numérica. Mais frequentes são as passagens que parecem gratuitas e deslocadas, que não deslancham e não servem a um propósito claro dentro da trama. Inversamente, o que parece um bocado amador para uma autora tão reverenciada quanto Zadie Smith, os trechos onde a história pediria mais amarração e detalhes foram ignorados. O recurso de (finalmente) dar a conhecer alguma coisa depois de deixar o leitor em dúvida por alguns parágrafos, ou de meramente aludir sem jamais referir de forma direta, é usado em excesso. O resultado é que muita coisa é aleatória, cansativa e farsesca em NW.

É preciso dizer que Zadie Smith tem boa percepção para reconhecer pontos cruciais, ridículos ou trágicos do mundo a) que se acelera b) que é inteiramente dependente da tecnologia c) que não consegue abandonar as noções de sucesso e produtividade. Sua capacidade de detectar a hipocrisia é admirável; sua capacidade de traduzi-la, nem tanto. Zadie apela para um cinismo incompreensível, para um narrador distanciado e calculista que não convence e não consegue contemplar o interior de boa parte das situações. Está tudo ali, mas sugerido. Está tudo ali, mas na superfície. Qualquer tentativa de ir além vira uma demonstração vaidosa de técnica no melhor estilo vejam-o-que-eu-sei-fazer (da qual os trechos poéticos são os melhores exemplos). O efeito geral não é nada bom.

A tentativa de construir bons personagens fracassa. Natalie e Leah apresentam uma desorientação gritante, uma característica que não aparece de forma positiva — é mais como se Zadie Smith definitivamente não soubesse como aplicar os contornos certos a fim de transformá-las em criaturas menos indefinidas. Mesmo com dois terços do livro dedicados a elas, nem sempre é possível apreender uma e outra — o que não seria ruim se o livro não colocasse suas frustrações e sua infelicidade em primeiro plano. Os caminhos que inicialmente pareciam promissores — o encontro de Leah e Shar, a cena em que Natalie perde os filhos em uma loja — vão dar em um beco sem saída, ou seja, serão bruscamente interrompidas quando deveriam decolar e provar algum ponto (um ponto que o romance parece querer provar a qualquer custo). Zadie Smith busca uma espécie de transcendência, mas sua escrita, que poderia ou deveria sugeri-la — principalmente com uma aproximação menos imprecisa dos personagens —, abandona todas as oportunidades. E aí envereda por caminhos falsos, por cenas que poderiam muito bem ter sido cortadas mas que foram mantidas como monumentos a um livro que não aconteceu.

De modo que NW tenta, mas não chega lá. Caminha ora rápido, ora devagar demais, coxeia e derrapa feio no trajeto. A paisagem, no entanto, é bonita.Há uma boa dose de ambiguidade em NW, o que vai se manifestar de três jeitos. a) O primeiro, desejável até certo ponto, é intencional e pode ser percebido na própria trama. Está ligado à maneira como os personagens se inserem no meio estabelecido (um meio com desafios e regras próprios), e também às interações dos personagens entre si. Desse cenário emergem contradições visíveis, impasses, ações que exploram as prováveis tensões. Essa ambiguidade atinge em cheio o leitor, a quem é dado um dilema moral de difícil solução (ou mais de um). b) O segundo se traduz num estilo enigmático — na forma de um narrador que é cúmplice e próximo, mas também irônico. c) O terceiro, nada desejável, pode ser visto na maneira como o livro foi construído: no rumo incerto, na estrutura que oscila, nos blocos de texto que deixam ver as rachaduras, nas pontas soltas. É a ambiguidade típica de um livro cujos acertos podem ser destacados, mas que invariavelmente vai ceder ao peso de suas falhas. E é uma ambiguidade que pode ser associada aos riscos assumidos por um autor, ainda que este não seja o caso de NW. As apostas de Zadie Smith não foram altas — o que não impede um resultado frustrante.

A recepção da crítica (publicado agora pela Companhia das Letras, NW foi lançado originalmente há cerca de dois anos) contribui para ressaltar a ambiguidade indesejada. NW esteve na lista de melhores de 2012 do The New York Times; foi escolhido como livro do ano pelo The Wall Street Journal, QG e The New Yorker. Um crítico do The New York Times Books Review considerou o romance “tão radical e apaixonado quanto real”, uma frase que decididamente parece inadequada para descrever NW. A escritora norte-americana Joyce Carol Oates lançou uma comparação caduca entre a escrita de Zadie Smith e a de James Joyce. (Não parece haver um ponto de contato sequer entre uma e outra.) Nenhuma dessas reações ao livro parece encontrar algum amparo na realidade, daí o espanto. A impressão que se tem é que os elogios impressos na sobrecapa descrevem outro romance — original, denso e arrebatador —, e não NW. Se Zadie Smith alguma vez chegou perto da perfeição, como apontou uma resenha no The Independent, não foi aqui.

Num ótimo ensaio sobre a artista Anna Maria Maiolino, o crítico e curador Paulo Venancio Filho acerta o alvo com precisão. Como avalia uma fórmula universal, aquilo que escreve também pode ser aplicado à literatura em geral (e à de Zadie Smith em particular): “Espaço físico, espaço mental, espaço afetivo, entre outros; cada um deles sendo um dos diferentes e fundamentais modos de ser que aqui se estabelecem como espaço da obra. Habitar o espaço implica preencher essas possibilidades significativamente, mais ainda, autenticamente.” Zadie Smith cria belos espaços. Seu único defeito é parecerem frequentemente desabitados — ou pelo menos esvaziados de presenças verossímeis cujas ações têm fundamento, profundidade e continuidade. A interioridade dos personagens não convence — ou não é atingida —, um problema que está, em parte, na postura do narrador. O resultado é que seus espaços não são preenchidos nem significativa, nem autenticamente.

O saldo de NW não é positivo nem quando suas quatro partes são vistas como um todo. O que ocorre é justamente o inverso: quando se une os pedaços, o livro inteiro vem abaixo. Multiculturalismo, individualidade, tempo que escorre, uma quantidade insana de caminhos possíveis que não esconde certa limitação: eis as (boas) promessas de NW. Quatro personagens, dois homens e duas mulheres, sendo elas mais importantes do que eles. Todos habitam o bairro de Kilburn, na região de NW, no final da primeira década do século XXI. É esse dado que os liga. A primeira a surgir é Leah, uma mulher na casa dos trinta anos que manifesta uma insatisfação indefinita. Leah quer parar o tempo até decidir como vai viver a sua vida. Ela “forçou uma imobilidade nela mesma, mas isso não impediu que o mundo continuasse”. Leah não deseja ser mãe e, mesmo casada com um homem, não abandonou o desejo por mulheres. Fica (mais) desorientada quando conhece Shar, uma jovem que bate em sua porta a fim de pedir socorro.

O próximo é Felix, que, como o nome sugere sem sutileza, aparentemente encontrou a felicidade. Virando a esquina, porém, seu destino pode não ser tão alegre. Em seguida é a vez de Natalie, que age como autômata e trabalha em um ritmo insano para sufocar o caos interno. Natalie e seu marido, profissionais bem-sucedidos e pais de duas belas crianças, são “como uma dupla de atores que só se fala no palco”, ou seja, diante dos amigos. E também há Nathan, amigo de infância de Leah e Natalie, cuja vida se desenrolou de forma mais trágica.

O universo que Zadie Smith procura descrever — e criticar, o que é sempre um aspecto positivo — só reconhece a produtividade. Quando o narrador se aproxima de Michel, marido de Leah, um sujeito ambicioso e convencional, ele é certeiro: “Você é o que você faz. É assim que as coisas são. Vivo pensando: este sou eu? O que estou fazendo? Este sou realmente eu? Se sento e não faço nada sei que isso me torna um nada.”

A vontade de “transcender” essa realidade — de procurar algo mais significativo, intenso e genuíno — não é estranha aos personagens de NW. (Será essa a explicação para a maconha que praticamente todos os personagens fumam em todos os momentos possíveis? Se alguém decidir medir o consumo de Cannabis na literatura, NW é um forte concorrente ao primeiro lugar.) Desse mundo urbano e caótico emerge uma figura tão improvável quanto Kierkegaard e sua noção de instante — aquela que diz que o instante não seria uma parte normal do tempo, e sim um momento menos corriqueiro e mais profundo. Kierkegaard surge através de Leah, que se formou em filosofia porque “tinha medo de morrer e achou que isso poderia ajudar”. Sua desilusão é visível. Só o filósofo dinamarquês parece ter algo a lhe dizer.

Mas a realidade é estreita e não é fácil transcendê-la ou encontrar uma saída alternativa. Em NW, a quantidade de caminhos e possibilidades acaba ocultando a pobreza da qualidade. Todas as rotas conduzem ao mercado de trabalho/à corrida pela construção de um patrimônio — ou seja, estão inseridos numa lógica que sobretudo Leah e Nathan parecem rejeitar. Qualquer atalho deverá ser aberto por conta própria, certamente às custas de algum sofrimento. Você é o que você faz: eis o sentido de mundo hipermoderno que Zadie Smith tanto martela e que aparece na declaração de Michel. Libertar-se é quase impossível. “A liberdade era absoluta e estava por toda parte, constantemente mudando de lugar. Você não podia esperar encontrá-la apenas nos velhos e conhecidos lugares”, diz o narrador.

(Uma passagem significativa: “tinha se desviado demais da conversa mole e entrado bem no âmago das coisas […], e agora devia tentar voltar para as coisas que não importavam”.)

NW tem boas sacadas, mas elas estão em desvantagem numérica. Mais frequentes são as passagens que parecem gratuitas e deslocadas, que não deslancham e não servem a um propósito claro dentro da trama. Inversamente, o que parece um bocado amador para uma autora tão reverenciada quanto Zadie Smith, os trechos onde a história pediria mais amarração e detalhes foram ignorados. O recurso de (finalmente) dar a conhecer alguma coisa depois de deixar o leitor em dúvida por alguns parágrafos, ou de meramente aludir sem jamais referir de forma direta, é usado em excesso. O resultado é que muita coisa é aleatória, cansativa e farsesca em NW.

É preciso dizer que Zadie Smith tem boa percepção para reconhecer pontos cruciais, ridículos ou trágicos do mundo a) que se acelera b) que é inteiramente dependente da tecnologia c) que não consegue abandonar as noções de sucesso e produtividade. Sua capacidade de detectar a hipocrisia é admirável; sua capacidade de traduzi-la, nem tanto. Zadie apela para um cinismo incompreensível, para um narrador distanciado e calculista que não convence e não consegue contemplar o interior de boa parte das situações. Está tudo ali, mas sugerido. Está tudo ali, mas na superfície. Qualquer tentativa de ir além vira uma demonstração vaidosa de técnica no melhor estilo vejam-o-que-eu-sei-fazer (da qual os trechos poéticos são os melhores exemplos). O efeito geral não é nada bom.

A tentativa de construir bons personagens fracassa. Natalie e Leah apresentam uma desorientação gritante, uma característica que não aparece de forma positiva — é mais como se Zadie Smith definitivamente não soubesse como aplicar os contornos certos a fim de transformá-las em criaturas menos indefinidas. Mesmo com dois terços do livro dedicados a elas, nem sempre é possível apreender uma e outra — o que não seria ruim se o livro não colocasse suas frustrações e sua infelicidade em primeiro plano. Os caminhos que inicialmente pareciam promissores — o encontro de Leah e Shar, a cena em que Natalie perde os filhos em uma loja — vão dar em um beco sem saída, ou seja, serão bruscamente interrompidas quando deveriam decolar e provar algum ponto (um ponto que o romance parece querer provar a qualquer custo). Zadie Smith busca uma espécie de transcendência, mas sua escrita, que poderia ou deveria sugeri-la — principalmente com uma aproximação menos imprecisa dos personagens —, abandona todas as oportunidades. E aí envereda por caminhos falsos, por cenas que poderiam muito bem ter sido cortadas mas que foram mantidas como monumentos a um livro que não aconteceu.

De modo que NW tenta, mas não chega lá. Caminha ora rápido, ora devagar demais, coxeia e derrapa feio no trajeto.

7 Comentários NW – Zadie Smith

  1. Mimi

    James Joyce também? Eu li que várias críticas apontavam uma relacao com Mrs. Dalloway – personagens femininos perdidos em seus mundos e casamentos.
    Eu li faz um tempinho e nao lembro de muita coisa, mas lembro de constantemente ter a impressao que a história nao estava indo a lugar algum.
    Achei curioso o que ela disse numa entrevista se referindo a parte da Natalie. Ela estava com o tempo restrito por causa dos filhos e tudo que tinha eram quatro horas por dia, por isso ela nao tinha o tempo nem a inclinacao para escrever capítulos de sessenta páginas. “The idea of writing at any great length became absurd.”

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  2. v.

    hm… havia lido uns elogios ao livro, mas foram da editora, então, não dá para considerar tanto assim, não é? heh. ainda não li a zadie smith. tem uma série de escritoras que preciso conhecer e ler, por enquanto ela não está como prioridade (já a joyce carol oates está). engraçado você ter citado o conceito de instante do kierkegaard, porque eu estava lendo exatamente essa parte em que ele conceitua o instante, hoje pela manhã (enquanto não tenho inspeções de saúde para fazer, leio, heh). achei uma coincidência engraçada.
    excelente resenha, espero que a zadie melhore. isso de reconhecer os pontos cruciais e não saber bem como transformar aquela experiência/sentimento em algo bem escrito é algo que vejo em muitos aspirantes a escritores (e alguns já escritores, mas BEM mais em aspirantes).
    abraço.

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  3. Juliana

    Olá, Camila,
    NW também me decepcionou. Gostei mais das entrevistas que a Zadie Smith deu sobre o livro do que do livro em si… E gostei de sua resenha, muito.
    Abraço.

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  4. Renato

    Camila, minhas impressões foram mais ou menos as suas.
    Fiquei com a sensação recorrente de que só nos foi permitido alcançar a superfície das personagens. Essa ‘textura aberta’ que Zadie deu ao livro terminou esvaziando realmente o que de mais profundo poderia ser encontrado na vida dos quatro principais. E olha que tinha bastante coisa pra ser alcançada, mas ela insiste em podar a narrativa de um jeito frustrante. Não sei se a comparação seria pertinente, mas, sobretudo no capítulo que teve Natalie como ponto central, trazia sempre a lembrança da narrativa de Laub em ‘Diário da queda’ e ‘A maçã envenenada’: ao contrário dele, Zadie tenta construir a narrativa em pequenos excertos de memória, mas nunca nos dá a essência, o que de mais importante precisaríamos conhecer.
    Mais uma ótima resenha!
    Até uma próxima vez,
    Abraço!

    Reply
  5. gabriel

    teria como deixar as tags das resenhas ali na direita de novo? fica bem mais fácil acessar textos antigos, pq adore seu blog e seus textos e gosto de revisitá-los.
    bjs

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