Alguns pontos do segundo livro da tetralogia de Elena Ferrante que merecem destaque

Alguns pontos do segundo livro da tetralogia de Elena Ferrante que merecem destaque

Primeiro livro da Tetralogia Napolitana, A amiga genial é interrompido no ponto alto de uma cena incômoda. Como parecia inevitável, os acontecimentos descritos ao longo das páginas culminam em uma confusão cujo palco é uma festa de casamento. Mesmo suspensa, a cena permitia intuir a aproximação de algum tipo de conflito na relação entre o novo casal. Usando a suspeita como gancho, Elena Ferrante dá início ao segundo volume da série, História do novo sobrenome. À narradora, Lenu, cabe reconstruir os passos da amiga Lila como a nova integrante da família Carracci. Graças à leitura dos cadernos de anotações da outra, o relato que Lenu entrega ao leitor é muito semelhante ao que a própria Lila escreveria.

A despeito das muitas experiências que separam as protagonistas, o jogo de influência mútua é intensificado. Como é Lenu a narradora do livro, é mais fácil acompanhar o que ela toma de Lila, em parte graças aos cadernos a que agora tem acesso — e dos quais a amiga se desfaz em um momento de desespero.

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Numa tentativa de compreender a situação de Lila, Lenu analisa as donas de casa do bairro. Incomodada, percebe como o corpo feminino perdia os contornos próprios e se diluía no masculino. As mulheres que via “tinham sido consumidas pelo corpo dos maridos, dos pais, dos irmãos, aos quais acabavam sempre se assemelhando, ou pelo cansaço ou pela chegada da velhice, da doença”. De Lila, ouve que a norma italiana para a união dos sobrenomes — o da mulher e o do marido, nessa ordem, ligados pela preposição em, como em “Cerullo em Carracci” — soa como um “se precipita em, é absorvida por, se dissolve em”. É uma passagem significativa — possivelmente a que melhor representa o argumento central do livro.

Muita coisa é dissolvida na outra em História do novo sobrenome, sobretudo a personalidade de Lila na de Lenu, e vice-versa. Sugeridas no primeiro volume, aqui as questões de influência ganham destaque. Graças ao intercâmbio contínuo de opiniões e impressões, e tendo de interromper o avançar espontâneo do relato da própria trajetória para rastrear e informar os passos da amiga, Lenu conclui que “é Lila que torna a escrita difícil”.

História do novo sobrenome é em tudo superior ao primeiro volume. Nele há mais nuance, complexidade e beleza. Seguindo o modelo estabelecido em A amiga genial, as frases continuam a priorizar a clareza, com uma modulação natural que se aproxima da oralidade. Contêm, no entanto, uma sutileza que somente a escrita, e sobretudo a escrita enganosamente simples, é capaz de oferecer. Não à toa, um dos maiores méritos de Ferrante é agradar a um público amplo e diverso. Se é possível ler A amiga genial e História do novo sobrenome como partes de um folhetim rápido — um folhetim no qual interessam sobretudo as interações mais básicas e os desdobramentos dos amores e dos conflitos dos personagens —, também é possível percorrer as entrelinhas. Nelas reside, concentrado, o talento de Ferrante.

Cada coisa do mundo estava em suspenso, puro risco, e quem não aceitava arriscar murchava num canto, sem intimidade com a vida.História do novo sobrenome

Numa passagem, por exemplo, Lenu analisa a “risada de virgem madura” ou “risada de candura maliciosa” de uma senhora que nunca se casou, e, de forma aparentemente gratuita, a compara à da mãe, uma “risada indecente da mulher que sabe das coisas”. De forma indireta, a passagem comunica que para Elena, naquela época — ainda os eventos sejam narrados muito tempo depois —, só havia dois caminhos a seguir, e, portanto, dois papéis a desempenhar.

Não de todo desconectado do primeiro, um segundo exemplo reforça a perícia de Ferrante na construção da narradora. Quando relata uma desavença com Lila, Lenu se refere à amiga como “a mulher do salsicheiro”. É uma maneira de aludir à outra que só se manifesta quando uma situação difícil parece prestes a sair do controle, e que, de modo não pouco agressivo, revela um desprezo até então reprimido ou disfarçado. Em contrapartida, o marido de uma professora do Liceu, um médico, só é mencionado de passagem. Lenu não se detém na figura do sujeito. Galiani, estimada pelos alunos, não é redutível a um homem, embora seja conhecida pelo sobrenome — um tratamento respeitoso, que no fim das contas assinala uma hierarquia básica. A professora, por mais que Lenu nem sempre esteja satisfeita com a maneira como as coisas se dão entre elas, não é a mulher do médico.

É nas entrelinhas que o desenvolvimento de Lenu começa a se fazer notar. O recurso, porém, não é exatamente uma piscadela para o leitor. Ao apostar em uma maneira de narrar em camadas, Ferrante faz uma escolha estética que parece condizente com a personagem e o enredo que desenvolve. Assim, é abaixo da superfície que as flutuações e os anseios de Lenu se apresentam com mais força. É ali, ainda, que se escondem a maior parte da violência e da complexidade das relações descritas por Ferrante. Mais do que A amiga genial, História do novo sobrenome avança por meio de alusões e insinuações. É isso, em parte, o que o torna melhor do que o primeiro.

Mais do que nunca, Ferrante evidencia a feitura dos romances. “Palavras: com elas se faz e e desfaz como se quer”, escreve. Num jogo de influência mútua do qual o afeto e o ciúme não estão ausentes, que (em certo sentido) não passa de um exercício cujo objetivo é equilibrar a balança de poder, que prevê e aceita os limites da subjetividade, que depende inteiramente da memória para ser reconstruído desde o início — num jogo como esse, enfim, a escrita não poderia mesmo ser simples. Assim, como analisa Lenu, “a narrativa dos fatos precisa acertar as contas com filtros, remissões, verdades parciais, meias mentiras; do que resulta uma extenuante mensuração do tempo passado toda baseada no metro incerto das palavras”.

Além do jogo de influência, dois assuntos ganham destaque neste segundo volume. Um deles, já mencionado, é o papel que cabia às mulheres nos diferentes meios pelos quais Lenu transita. “Como era difícil orientar-se, como era difícil não violar nenhuma das detalhadíssimas regras masculinas”, diz ela. Como no restante do livro, o assunto ora ganha uma abordagem direta, ora é insinuado nas entrelinhas. Numa cena, por exemplo, Lenu descobre, depois de um mal-entendido na Escola Normal, que quase não havia mulheres pesquisadoras e professoras universitárias. Em outra passagem, como que assinalando a fragilidade dos estereótipos de gênero, Lenu diz que o pai sempre foi um homem fraco e subserviente, enquanto a mãe — uma pessoa simples que, saindo do bairro pela primeira vez, vai sozinha visitar a filha em Pisa — sabia se impor.

A desigualdade social é outro tema a ganhar importância em História do novo sobrenome. Longe de Nápoles pela primeira vez, Lenu começa a intuir que certas distâncias não podem ser transpostas. Também isso surge primeiro nas entrelinhas. Basta prestar atenção à insistência com que a narradora se refere, desde o volume que abre a tetralogia, à alternância do uso do dialeto e do italiano culto. A comunicação — sua função de marcar a origem do falante, as mudanças de registro que sugerem a ascensão social e o esforço dedicado ao aprendizado — é um elemento importante nos dois primeiros livros da série. Lenu, aliás, sente vergonha de Lila quando esta se expressa em dialeto, reação que raramente é estendida aos próprios familiares e aos outros moradores do bairro. Apenas à amiga genial não é permitido o uso constante e descuidado da linguagem do bairro. Também isso é significativo. Lenu sabe que, ao contrário do que acontece com os demais, não é ignorância o que leva Lila a renunciar ao italiano culto. É outra coisa.

Sem um grande salto temporal desde A amiga genial, História do novo sobrenome é ambientado na Itália do final da década de 1950 e começo de 1960, pouco antes do início dos Anos de Chumbo. A política é tema da maior parte das conversas de Lenu com os novos amigos. Ao ingressar nos círculos abastados e educados — via de regra, não se podia prescindir do primeiro para chegar ao segundo, o que faz da narradora uma exceção —, Lenu aprende que, ao ler um livro, deveria “[se] entusiasmar todas as vezes em que [se] deparasse com passagens nas quais eram bem narrados os efeitos da desigualdade social”, justamente o que a autora apresenta na tetralogia. A ironia mostra um lado provocador nem sempre exibido por Ferrante — mais ou menos como faz Chimamanda Ngozie Adichie em Americanah ao negar a nuance para falar do racismo. Trata-se, aí sim, de uma piscadela para o leitor.

A vida de Lila se apresenta continuamente na minha, nas palavras que pronunciei, dentro das quais há muitas vezes um eco das suas, naquele determinado gesto que é uma readaptação de um gesto dela.História do novo sobrenome

Lenu menciona a dificuldade de sair de um ambiente em que a violência crua era recorrente para um ambiente de embates verbais irônicos e dissimulados. Não só. Comer, vestir-se e andar também eram, lá e cá, ações regidas por regras e etiquetas distintas. Por não haver muitos pontos de contato entre os dois meios, ir de um a outro não era uma transição fácil. Depois de concluir a Escola Normal — e de alcançar um patamar que ninguém em sua família jamais sonhou alcançar — ela poderia voltar ao bairro? Não, uma vez que “era difícil tirar da cabeça as ambições induzidas pelo estudo”. Se voltasse a morar na casa em que nasceu e cresceu, somente ela “saberia com clareza que não tinha ido muito longe”. Lenu havia visto o que havia para lá das construções decrépitas e das ruas poeirentas. Pouco a pouco, foi introduzida em um ambiente em que as jovens já não punham um bom casamento acima de tudo. No bairro, por outro lado, uma moça podia esperar se tornar mulher do salsicheiro, do carpinteiro ou do mecânico, vendo desaparecer aí — primeiro no sobrenome do marido, em seguida na profissão — a própria identidade.

A origem simples de Lenu atua como uma sombra, permanentemente lembrando à narradora que ela não pertence àquele meio. Num trecho, ela relembra “a máscara [do] pai quando recolhia gorjetas, a máscara forjada [pelos] antepassados para se esquivar do perigo, sempre amedrontados, sempre subalternos, sempre agradavelmente solícitos”. Aqui, a desigualdade aparece sobretudo na importância atribuída ao conhecimento e na confiança — e arrogância — com que o conhecimento é exibido. Se seus colegas pertenciam a famílias cujos membros sabiam tirar proveito e prazer da própria instrução, conferindo ao estudo um valor em si mesmo, a Lenu tudo isso parecia estranho. “Não bastava o mérito, era preciso algo mais”, constata. Também era preciso pertencer ao gênero certo.

No bairro pobre em que Lenu nasceu, as “boas maneiras, a voz e o aspecto cuidados, o monte de coisas na cabeça e na língua”, todas elas absorvidas em Pisa por meio dos livros e da imitação — fruto do autocontrole —, constituíam “sinais imediatos de fraqueza”. Ao mesmo tempo em que a torna diferente, a instrução amplia a percepção da narradora para a própria condição. “Sentia em mim uma potência que já não sabia acomodar-se ao faça de conta que nada com que geralmente era possível sobreviver no bairro e fora dele”, diz.

Há três pontos de História do novo sobrenome que merecem menção por conta de uma beleza que, sem um olhar mais atento, pode passar batida. No primeiro, entram em cena a (em certo sentido) ingenuidade e a espontaneidade de Lila. Lila nasceu em uma família tão pobre quanto a de Lenu e, consequentemente, não aprendeu com os pais e os irmãos a valorizar o conhecimento. Lila, todavia, é brilhante. Sem a rigidez que acaba por tolher a criatividade e a originalidade, Lila demonstra uma inteligência viva, diferente da de alguns tipos com quem Lenu topou ao longo dos anos de estudo. Quando Lenu percorria os últimos anos do Liceu, era Lila quem conseguia “conferir um novo sentido” às matérias para as quais a própria narradora já não via utilidade. A força de Lila também aparece quando Lenu lê os cadernos da amiga. Cada página de Lila acendeu “pensamentos próprios, ideias próprias, páginas próprias”, como se Lenu tivesse vivido até então “num torpor estudioso, mas inconclusivo”. É como se fosse Lila o ponto de contato entre os dois mundos de Lenu, o do bairro de Nápoles e o dos círculos educados longe dali.

O segundo ponto cuja beleza merece destaque é a maneira como se dá a resistência (contra a pobreza, contra o machismo, contra as decepções inevitáveis da vida) das protagonistas da série. É marcante a diferença sutil entre o aniquilamento passivo — desaparecer no sobrenome e na profissão do marido — e uma espécie de comportamento autodestrutivo, com a qual tanto Lenu como Lila chegam a flertar. “Se nada podia nos salvar, nem o dinheiro, nem um corpo masculino, nem os estudos, tanto melhor destruir tudo de uma vez. Em meu peito cresceu a raiva que era dela, uma força minha e alheia que me encheu do prazer de perder-me”, diz Lenu. A destruição pode ser simbólica, como a que Lila tenta empreender no início do livro, ou contestadora, como a que as duas, cada uma a seu modo, procuram levar a cabo.

Também há beleza na maneira como Lenu aprende a somar os dois meios sem, no entanto, perder o que guarda do bairro napolitano. Ao reter da temporada em Pisa aquilo que a fortalece e respalda sua confiança — o que vai, de algum modo, desaguar na literatura — Lenu opera em si a maior transformação desde a infância. Causa surpresa quando, ao relatar um período difícil, a narradora diz que não tem nenhuma empatia por quem era naquela época, referindo-se aos meses que marcaram a conclusão do Liceu. A surpresa vem do fato de que, embora procure disfarçar, Lenu nem sempre escapa da nostalgia associada aos dias em que a vida era mais simples.

Num jogo de influência e proximidade entre escritora e narradora, e mesmo o — certamente ligado ao primeiro — jogo de influência entre as duas amigas, uma italiana desconhecida constrói um dos melhores livros do ano. Não há dúvidas de que Elena Ferrante é uma das narradoras mais competentes em atividade. Com facilidade, a autora parece dançar a “Tarantella” enquanto recita Beckett, faz truques de mágica e brinca com malabares. Não é para qualquer um.

14 Comentários Alguns pontos do segundo livro da tetralogia de Elena Ferrante que merecem destaque

  1. Renato

    Falar que uma opinião aqui do ‘Livros Abertos’ é incrível já virou pleonasmo faz tempo. Sério, fico esperando novos links como menino de braços estendidos esperando chocolate. Mas deixando de lado o momento tiete…
    Fiquei besta com esse segundo volume. Realmente as entrelinhas se tornaram muito mais densas. Quase como se acompanhassem a passagem dos anos e a maturidade que vai chegando pra Lenu. Terminei há umas semanas e até agora a cena de Lila atirando no fogo o livro que tinha escrito quando criança ainda ecoa. Pra mim, essa foi a passagem mais significativa, a imagem da realidade brutal despencando sobre o mundo. Tão, tão triste e significativo eu achei.
    Parabéns, Camila! Baita análise.

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    1. Camila von Holdefer

      Concordo, Renato. O final desse segundo volume é devastador justamente por conta da situação em que a Lila se encontra. Quando a Lenu volta a Nápoles e vai visitar a amiga, a sensação do espectador (leitor) é a pior possível. O sentimento/emoção que prevalece: como a vida é injusta.
      E obrigada pelo comentário! 🙂

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  2. Fran Resende

    Que texto! Acabei o livro a pouco tempo, mas ele ainda ecoa … Ferrante é tão brilhante, tão densa, ah …
    Gostei de cada comentário e passagem destacada, muito significativas. É tão difícil escolher uma, pois são tantas coisas boas para se destacar …
    Enfim, estou mais que curiosa pelo próximo volume. E esse Nino gente? Querendo ou não, ele é importante para as duas amigas.

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  3. PABLO AUGUSTO SILVA

    Ótimo livro este 2° volume, embora confesse que preferi muito mais o 1° volume; achei que este poderia ter umas 100 páginas a menos que, ainda assim, daria conta das nuances que você tão bem revela.
    Gostei da sua resenha porque você foi no ponto não só do 2° volume, mas de toda a quadrilogia: “é como se Lila/Lina fosse o ponto de contato entre os dois mundos (sociais) de Lenu”. É exatamente isso: Lila/Lina é a referência selvagem quando Lenu está entre os “civilizados”; é a menina culta/civilizada quando Lenu está entre os “selvagens”. Você tem condições de escrever um belo e longo ensaio quando toda a quadrilogia estiver publicada. Parabéns e sucesso.

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    1. Camila von Holdefer

      Obrigada pela leitura atenta, Paulo. Minha vontade é escrever sobre a tetralogia assim que esta for publicada integralmente no Brasil. Concluí a leitura do terceiro volume há poucos dias e há muita coisa a ser dita.

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  4. Adriane Leite

    Terminei de ler o terceiro, estarrecida, e vim aqui procurar se já tinha resenha, mas acabei achando a do segundo, que ainda não havia lido.
    Esse segundo é mesmo brilhantemente escrito. Às vezes me aborrece a narradora, mas é notável o amadurecimento dela.
    São muitos momentos bonitos, difícil destacar os melhores. Mas, acho realmente incrível como a Ferrante vai fazendo o leitor ficar intuitivo. Por exemplo, quando a Lenu deixa a Lila de lado, e passa a falar só dela, você observa o narrador ficando mais leve, com menos densidade, você já sente que a ausência da Lila tá ligada a isso, aí ela vem e encerra “é Lila que torna a escrita difícil”. Maravilhoso.
    Outra passagem marcante pra mim é a destruição da foto do casamento, que ambas promovem, e que, a meu ver, traz muitos dos simbolismo e significados da tetralogia. Lila transforma sua foto através da destruição, e com a ajuda da amiga, o que traz bastante das subjetividades constituídas a partir disso.
    Ainda continuou achando incrível a narrativa da Ferrante e a facilidade com que ela trabalha os muitos personagens, sem nunca desalinhá-los, todos muito bem utilizados e maravilhosamente construídos. É como falaste: ” (…) a autora parece dançar a “Tarantella” enquanto recita Beckett, faz truques de mágica e brinca com malabares. Não é para qualquer um.
    Parabéns pelo trabalho, Camila.

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    1. Camila von Holdefer

      Obrigada pela leitura e pelo comentário, Adriana. 🙂 Concordo com os pontos que você levantou, sobretudo com a colocação sobre a facilidade com que a Ferrante dispõe dos personagens na narrativa. (A resenha do volume três deve ficar pronta ainda esta semana!)

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